Sindicato luta para defender os trabalhadores diante da reestruturação dos Correios
Em reunião na sexta-feira, dia 27/2, os dirigentes do sindicato cobram transparência da direção dos Correios e respeito aos trabalhadores.
Passava das 9h30 da manhã, quando os trabalhadores e as trabalhadoras, do CDD Florianópolis Norte, aprovaram o indicativo de greve na Unidade para o dia 2/3.
Ás 13h30, a direção do Sintect/SC cruzava as catracas do Complexo Operacional e Administrativo dos Correios, em Santa Catarina, para levar a decisão da ampla maioria da categoria, para a mesa da Superintendência Regional.
Os dirigentes cobraram explicações da gestão sobre o processo de reestruturação que prevê a roteirização e o fechamento do CDD Norte, em Florianópolis.
O sindicato alertou para uma série de consequências imediatas: aumento da carga nas Unidades de destino, atraso na entrega de cartas e encomendas, acúmulo de carga parada e precarização das condições de trabalho.
“As unidades que vão receber essa demanda não têm capacidade para absorver o volume. Os atrasos vão continuar e podem piorar”, destacou Hélio Samuel de Medeiros, Secretário Geral do Sintect/SC.
Também foi levantada a possibilidade de ação judicial por danos morais coletivos, diante do que classificaram como tratamento desrespeitoso e condução “às escondidas” do processo.
“Os trabalhadores foram pegos de surpresa. Não há sequer aviso na porta da unidade”, afirmou Hélio Samuel.
O dirigente questionou sobre quais providências concretas a direção da Correios está adotando diante da situação e denunciou que já estaria ocorrendo a transferência de empregados para outras unidades sem debate coletivo.
Para o sindicato, a gestão tem priorizado números e metas financeiras, sem considerar o impacto humano e social da medida.
A Superintendente Regional dos Correios em Santa Catarina, Elisiane Laurindo, confirmou que a decisão tem motivação financeira e partiu de Brasília.
Segundo a gestora, o fechamento integra um projeto nacional de reestruturação para enfrentamento da crise financeira.
“É uma decisão de Brasília. Por mim, eu não fecharia nenhuma Unidade, mas a situação colocada é financeira”, declarou a Superintendente.
A gestão informou ainda que todos os trabalhadores foram comunicados sobre suas novas lotações e que ninguém ficará sem função.
O sindicato exigiu mais informações sobre o contrato de locação do imóvel onde está o CDD, para entender se existe viabilidade financeira para manter o CDD no mesmo local.
De acordo com os gestores , o contrato não prevê multa, apenas existe a necessidade um aviso prévio de 90 dias para entregar o imóvel ao proprietário.
O contrato de locação do CDD Florianópolis Norte tem previsão de encerrar em novembro de 2027, mas o ofício dos Correios em Brasília estabelece como prazo final o dia 28 de fevereiro de 2026.
Dirigentes sindicais contestaram o valor do aluguel — informado como R$ 48 mil — e cobraram esclarecimentos sobre eventual busca por imóvel alternativo mais barato na mesma área de distribuição.
"Ë preciso reestruturar sem prejudicar o atendimento a população, buscando um imóvel mais barato na região", sugeriu Jacques Bitencourt.
Os dirigentes também denunciaram contradições na política de contenção de gastos, citando aquisição de equipamentos sem manutenção e dificuldades na contratação de efetivos.
O fechamento do CDD compromete o atendimento à população, amplia distâncias de distribuição e afeta diretamente a qualidade do serviço público.
O sindicato defende como encaminhamento imediato a revisão da decisão junto à sede da empresa, sugerindo a unificação de estruturas ou a busca por imóvel com menor custo dentro da própria área de entrega.
Ao final da reunião, foi solicitado que conste em ata a posição oficial do sindicato: pela manutenção do CDD Norte, pela transparência no processo e pela abertura imediata de negociação com a direção nacional da empresa.
A tensão permanece, e a possibilidade de paralisação neste e em outros CDDs não está descartada.