ACT 2026/2027 precisa avançar em propostas capazes de reconhecer a importância dos ecetistas
As negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027 seguem em discussão, com os debates desta semana concentrados em temas relacionados às relações sindicais e às disposições gerais do acordo.
Entre os principais pontos de crítica está a proposta de reajuste dos benefícios apresentada pela direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).
O índice de apenas 0,82% é considerado insuficiente pelos representantes dos trabalhadores diante das necessidades da categoria e da inflação acumulada no período.
O INPC considerado na negociação foi de 4,10%, mas a empresa propôs aplicar somente 20% desse índice aos benefícios com impacto financeiro, como o Vale-Alimentação/Refeição.
Considerando o valor atual do Vale-Alimentação/Refeição dos Correios, de R$ 53,53 por dia, a proposta de reajuste de 0,82% representaria:
-
Valor atual: R$ 53,53
-
Reajuste de 0,82%: R$ 0,44
-
Novo valor diário: R$ 53,97
A pergunta que fica é: o que é possível comprar hoje com R$ 0,44?
O valor é tão baixo que, na avaliação dos representantes dos trabalhadores, não representa uma melhoria concreta no poder de compra da categoria. O exemplo ajuda a dimensionar a distância entre a proposta apresentada pela empresa e as reivindicações dos trabalhadores.
As críticas também são direcionadas à condução das negociações pela cúpula dos Correios, formada pela diretora de Gestão de Pessoas, Natalia Teles da Mota; pelo diretor de Operações, José Marcos Gomes; e pelo presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon.
Na avaliação dos representantes sindicais, a postura adotada pela direção da ECT durante as negociações não demonstra a valorização necessária dos trabalhadores e trabalhadoras, considerados fundamentais para o funcionamento da empresa.
São os empregados que, diariamente, garantem a operação dos Correios e a prestação dos serviços postais à população.
A reflexão que fica é simples: se os trabalhadores são reconhecidos como o maior patrimônio dos Correios, esse reconhecimento também precisa aparecer nas propostas apresentadas à mesa de negociação.
Afinal, valorizar quem mantém a empresa funcionando todos os dias não deveria ser apenas um discurso.
Esse reconhecimento precisa estar refletido nos salários, nos benefícios e nas condições de trabalho.