Encontro dos Coletivos da CUT-SC realiza debates sobre Interseccionalidade, Democracia e Direitos Humanos
O Sintect/SC participou, nos dias 21 e 22 de agosto, do Encontro dos Coletivos da Central Única dos Trabalhadores de Santa Catarina - CUT-SC.
Com o lema “Tecendo a Rede da Resistência”, o encontro reuniu representantes dos coletivos para compartilhar experiências, fortalecer a organização sindical e debater estratégias de enfrentamento às desigualdades, ao conservadorismo e às violações de direitos.
Um dos principais conceitos que orientaram os debates foi a interseccionalidade, ferramenta fundamental para compreender como diferentes formas de desigualdade e opressão podem se cruzar e produzir impactos específicos na vida das pessoas.
O QUE É INTERSECCIONALIDADE?
A interseccionalidade é uma forma de analisar a realidade considerando que as pessoas podem vivenciar, simultaneamente, diferentes condições de desigualdade.
Racismo, machismo, LGBTfobia, capacitismo, desigualdade econômica, etarismo e outras formas de discriminação não atuam necessariamente de maneira isolada: elas podem se combinar e intensificar as barreiras enfrentadas por determinados grupos.
No mundo do trabalho, por exemplo, uma mulher negra, uma pessoa com deficiência ou uma pessoa LGBTQIA+ pode enfrentar obstáculos que não podem ser compreendidos a partir de apenas uma dimensão da desigualdade.
A perspectiva interseccional permite, portanto, enxergar essas diferentes experiências e construir políticas e ações de enfrentamento mais eficazes.
DESIGUALDADES NO MUNDO DO TRABALHO
A programação teve início na sexta-feira, dia 21/8, com um debate sobre as desigualdades no mercado de trabalho, conduzido pela supervisora do DIEESE em Santa Catarina, Crystiane Peres.
O encontro também abordou o combate ao racismo, em debate conduzido por Heliana Hemetério, conselheira do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e integrante do Coletivo de Lésbicas Negras.
Outro tema discutido foi a inclusão e o enfrentamento ao capacitismo, com foco nos desafios enfrentados pelos trabalhadores com deficiência.
A atividade contou com a participação de Karem Resende, suplente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
DIVERSIDADE, JUVENTUDE E DIREITOS HUMANOS
No sábado, dia 22/8, a programação contou com a apresentação da pesquisa “Situa Saúde LGBTIAPN+ Floripa”, seguida de debate sobre a realidade e os direitos da população LGBTQIA+, com a participação de Leo Ribas, conselheira nacional de direitos LGBTQIA+ e da professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Dayana Brunetto, pesquisadora dos Estudos de Gênero, Feminismos, Sexualidade e Educação e articuladora nacional da Rede Nacional de Ativistas e Pesquisadoras Lésbicas e Bissexuais – Rede LésBi Brasil;
A juventude também teve espaço na programação, com a participação de Kevin Gonçalves Pacheco, presidente do Conselho Estadual da Juventude (CONJUVE/SC), em uma discussão sobre os desafios e a participação dos jovens na construção das lutas sociais.
SINTECT/SC FORTALECE A LUTA CONTRA O PRECONCEITO
Para o Sintect/SC, a participação no encontro representa o fortalecimento da atuação sindical para além das questões específicas do mundo do trabalho.
A entidade reafirma seu compromisso com a luta antirracista, o combate a todas as formas de preconceito e discriminação e a defesa dos direitos humanos.
Ao integrar os espaços coletivos da CUT-SC, o Sintect/SC amplia sua capacidade de diálogo e articulação com diferentes movimentos e segmentos da sociedade, contribuindo para a construção de uma agenda de lutas baseada na democracia, na igualdade, na diversidade e na defesa dos direitos de todos e todas.
E compreender as diferentes formas de desigualdade é fundamental para construir uma sociedade verdadeiramente democrática, inclusiva e livre de preconceitos.
O Coletivo de Combate ao Racismo definiu ações para fortalecer a atuação sindical antirracista.
Entre as propostas estão o levantamento de cláusulas antirracistas em acordos e convenções coletivas, a criação de um protocolo para orientar vítimas de racismo sobre registro, apoio e denúncia, e o desenvolvimento de ações permanentes de letramento racial, com cartilhas, conteúdos para redes sociais, palestras, debates e atividades formativas.
ENCAMINHAMENTOS DOS COLETIVOS
Ao final do encontro, os participantes construíram um plano de lutas.
Cada coletivo se reuniu para discutir suas pautas, identificar prioridades e definir ações dentro dos eixos temáticos, fortalecendo a articulação entre as diferentes frentes de atuação da CUT-SC.
Foi definida a realização de um novo encontro em março de 2027, como preparação para o Congresso da CUT, incorporando também o Coletivo de Mulheres.
Os sindicatos CUTistas realizarão pesquisas sobre o perfil de seus sindicalizados, com recortes de juventude, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência e população negra.
A elaboração de uma Carta-Compromisso e de um guia sindical com orientações para ajudar os sindicatos a se aproximarem dos jovens trabalhadores e trabalhadoras.
O coletivo também propôs construir uma Carta-Compromisso para candidatos e candidatas, com compromissos relacionados ao combate ao racismo, à igualdade racial, aos direitos da população negra e à implementação de políticas públicas de enfrentamento à discriminação.