Dirigentes do Sintect/SC reagem às falas do presidente Lula e cobram compromisso com a categoria

A crítica é em relação a decisão de conceder “carta branca” à atual direção da empresa para promover medidas de reestruturação nos Correios.

As mudanças implementadas pela direção nacional da estatal vêm penalizando os trabalhadores e trabalhadoras, reduzindo direitos, precarizando as condições de trabalho e levando as negociações coletivas para a Justiça do Trabalho.
 
“Não é dando carta branca para a direção dos Correios que vamos resolver os problemas da empresa. É preciso dar carta branca aos trabalhadores, aos sindicatos e às federações para negociar e construir soluções”, defende Helio Samuel de Medeiros, Secretário-Geral do Sintect/SC.
 
Os dirigentes também contestam a ideia de que o caminho para recuperar os Correios seja baseado exclusivamente na redução de despesas, pois os trabalhadores não podem ser tratados como custo, mas como investimento.
 
É necessário ampliar a contratação de trabalhadores, fortalecer a estrutura operacional e investir na empresa pública.
 
FECHAMENTO DE AGÊNCIAS VAI NA CONTRAMÃO DA EFICIÊNCIA
 
A direção sindical também questiona o discurso de aumento da eficiência e melhoria do atendimento à população diante do fechamento de Agências e da redução de postos de trabalho.
 
Retirar trabalhadores e fechar Unidades justamente nos locais onde a empresa precisa ampliar a presença e captar novos clientes representa uma contradição.
 
“Quando se fala em melhorar o atendimento à população, não faz sentido fechar unidades e reduzir postos de trabalho. Isso vai exatamente na direção contrária”, destacou o dirigente Jacques Bitencourt.
 
Em Santa Catarina, o Sintect/SC chama atenção ainda para municípios onde as Unidades dos Correios já funcionam de maneira reduzida, em alguns casos apenas dois dias por semana.
 
Ter soberania nacional não significa fechar Agências, reduzir atendimento ou entregar serviços públicos à iniciativa privada.
 
A defesa da empresa pública passa pelo investimento estatal, pela valorização dos trabalhadores e pela ampliação da qualidade dos serviços prestados à população.
 
PPP NÃO É O CAMINHO
 
A direção do sindicato também se posiciona contra a utilização de Parcerias Público-Privadas como solução para os problemas financeiros dos Correios.
 
A entidade defende que o Governo Federal invista diretamente na estatal e fortaleça sua capacidade de atuação em todo o território nacional.
 
“Os Correios estão presentes em todos os municípios brasileiros e cumprem uma função estratégica para o país. O caminho não é entregar a empresa ao setor privado, mas investir, modernizar e fortalecer a empresa pública”, afirma o dirigente Rafael Pereira.
 
A direção também critica a atual política de reestruturação, que, segundo a entidade, estaria transferindo para os trabalhadores o peso da crise financeira da empresa, enquanto medidas estruturais de fortalecimento dos Correios não são priorizadas.
 
 
“NÓS VAMOS COBRAR”
 
Diante das declarações do presidente Lula, os dirigentes do Sintect/SC afirmam que a categoria não aceitará passivamente as medidas adotadas pela direção dos Correios.
 
A entidade promete cobrar do Governo Federal um compromisso efetivo com os trabalhadores e com a manutenção dos Correios como empresa pública e estratégica para o Brasil.
 
“Se encontrarmos o presidente Lula em qualquer lugar, estaremos lá para cobrar um compromisso verdadeiro com os trabalhadores. Não aceitamos a carta branca para uma gestão que, em vez de fortalecer os Correios, está retirando direitos e enfraquecendo a empresa”, reforça o dirigente Helio Samuel de Medeiros.
 
CATEGORIA É CHAMADA PARA A ASSEMBLEIA DO DIA 10
 
A direção do Sintect/SC reforça o chamado aos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios em Santa Catarina para participarem da assembleia do dia 10 de setembro, na sede do sindicato.
 
Para a entidade, diante dos ataques aos direitos, da reestruturação da empresa e da condução das negociações coletivas, a mobilização da categoria é fundamental.
 
“Trabalhadores de Santa Catarina, depois das falas dos dirigentes, fica mais do que claro que não existe outro caminho que não seja participar da assembleia do dia 10. Juntos somos mais fortes”, lembrou o dirigente Luis Alberto.

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