Brasil: um país preconceituoso

A data do assassinato de Zumbi dos Palmares serve para manter viva na memória o desejo por liberdade e resistência contra o preconceito de cor e se estende a luta contra qualquer forma de preconceito.

 


A data do assassinato de Zumbi dos Palmares serve para manter viva na memória o desejo por liberdade e resistência contra o preconceito de cor e se estende a luta contra qualquer forma de preconceito.
Comemorado há mais de 30 anos por ativistas do movimento negro, a data foi incluída em 2003 no calendário escolar nacional. 
Contudo, somente a Lei 12.519 de 2011 instituiu oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
A lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. 
Os alunos poderão conhecer a história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional.
A união e a mistura dos costumes, as religiões e as tradições deram origem à identidade brasileira.
A data também faz alusão a todos aqueles que lutaram contra a opressão racial como Acotirene, Luiza Mahim, João Cândido, Solano Trindade, dos Panteras Negras, de Malcolm X.
Hoje, o preconceito está a exposição da sociedade por meio das redes sociais.
As pessoas se esquecem que não existe privacidade na internet e publicam seus mais variados tipos de preconceitos na rede.
A mesma tecnologia que permite a liberdade de expressão também serve para localizar os agressores responsáveis pela injuria racial e puni-los.
Os crimes de preconceito racial envolvendo jogadores de futebol, atores e jornalistas tiveram visibilidade pela repercussão obtida com as redes sociais e consequentemente na mídia impressa e televisiva. 
O Brasil é um país em construção, muitos direitos do cidadão são desrespeitados, a herança cultural do sistema de escravidão ainda está naturalizado nas pessoas, e por assim dizer, na sociedade. 
O preconceito está em cada um de nós entretanto está na Educação o caminho para se conhecer a História e com isso aprender a conviver e a respeitar a diversidade, seja da cor da pela ou do pensamento.
Os ataques à população descendente dos africanos reforça a necessidade de construção de um movimento negro independente de governos, partidos, patrões, de oposição às políticas do governo para efetivamente assegurar as reivindicações históricas dos brasileiros afrodescendentes. 
As mulheres afrodescendentes sofrem com uma dupla discriminação, sendo vítimas do preconceito racial e do machismo.
O número de mortos é 132% maior entre os afrodescentes em comparação as outras etnias. 
As ações policiais se apresenta nas estatísticas muito mais punitivas a homens e mulheres de pele escura e resulta no extermínio da população afrodescendente e pobre. 
O capitalismo recicla, amplia e precisa da desigualdade racial para dividir a classe trabalhadora, jogando uns contras os outros. 
A CSP-Conlutas mantém discussão permanente sobre questões relevantes ao combate ao racismo em seu Setorial de Negros e Negras e na promoção do Encontro Nacional de Negras e Negros.

Mulheres negras são vítimas de violência doméstica

2.875 mulheres negras foram mortas em 2013. Esse número cresceu em 54% entre os anos de 2003 a 2013. De acordo com o Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período. Cerca de 55,3% dos crimes contra mulheres foram cometidos em ambiente doméstico, e nos 33,2% dos casos os assassinos eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

Faltam políticas para as mulheres negras. Entretanto, as mulheres tem medo do Poder Público. Jurema Werneck, integrante da ONG Criola, justifica: - porque as mulheres sabem que é o Estado que mata os homens negros, logo ela não confia nele. O sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz ressalta ainda que no Brasil os índices de homicídio também são maiores entre os homens negros em comparação aos brancos. Segundo o sociólogo no Brasil existe o mito da “democracia racial” mas as estatísticas apontam para a existência de uma falsa mitologia de que o brasileiro não é racista: - o fato é que ele é!.


História que deu nome a data

Os Quilombos da metade do século (1580-1600) foram comunidades rurais formadas por escravos africanos e afrodescendentes e são consideradas como refúgios contra a violência da escravidão. Ao fugir das fazendas, os escravos tinham no Quilombo a oportunidade de, em liberdade, se reencontrar com as suas tradições, e amenizar a saudades da África. Era uma tentativa de constituir uma comunidade livre. Talvez o desejo dos africanos fosse o de voltar para casa, entretanto, separados da família e dos amigos, retirados do seu local de nascimento, presos e violentados, só restou ao africano resistir.

O Quilombo que chegou a abrigar entre 20 e 30 mil pessoas, cerca de 13% da população brasileira em 1630, excetuando-se os indígenas, foi chamado de Palmares porque na região havia muitas palmeiras e foi erguido no estado de Alagoas, na Serra da Barriga. Alguns índios, mestiços e mesmo brancos habitavam Palmares.

O Quilombo se transformou em um Estado autônomo ocupando uma faixa territorial com cerca de 200 km de largura paralela a costa, que se estendia do cabo de Santo Agostinho até a margem esquerda do rio São Francisco.

A produção de artesanato com palha de palmeira (cestos, vassouras, chapéus, leques), de tecidos, de cerâmica e de metalurgia, como o excedente era comercializado, formando relações econômicas organizadas com comunidades vizinhas (colonos).

De 1954 até 1677 o Quilombo dos Palmares já havia derrotado 24 expedições chefiadas pelos capitães-mor de Pernambuco, dando inicio a tradição como arte-marcial da capoeira.

Neste Quilombo viveu o africano chamado Zumbi. A palavra Zumbi é semelhante a Nzambi, da língua africana quicongo falada em algumas regiões de Angola e que significa “deus”. Zumbi era filho de angolano e nasceu em um Quilombo no Brasil. Quando Zumbi era criança foi sequestrado por soldados portugueses e entregue a um padre jesuíta. Ele aprendeu a falar português e o latim e aos quinze anos fugiu, indo para o Quilombo dos Palmares. Zumbi tornou-se líder da comunidade rural no Quilombo e passou a lutar contra a escravidão. Os grandes proprietários de terra e de escravos estavam dispostos a fazer qualquer coisa para acabar com Zumbi e Palmares.

A coroa portuguesa chamou o bandeirante Domingos Jorge Velho para exterminar Palmares. A expedição militar implicou a mobilização dos militares de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia e Maranhão. Em janeiro de 1694, com um exército de mais de 8.000 homens munidos inclusive com canhões foi erguida uma cerca para encurrá-lar as defesas de Palmares. A luta foi difícil. Até água fervente foi usada pelas mulheres palmarinas na defesa do mocambo atacado. Após 22 dias de resistência o Quilombo dos Palmares foi ocupado e destruído.

Zumbi e um grupo conseguiram fugir e substituiu a estratégia de defesa passiva por uma estratégia de guerrilha, com ataques surpresa a engenhos, libertando escravos e apoderando-se de armas, munições e suprimentos. Dois anos depois, Zumbi a delação premiada de uma dos tenentes de Palmares, que havia sido torturado levou a captura de Zumbi. No dia 20 de novembro de 1695 ele foi capturado. Sua cabeça foi cortada e exibida em Recife.

 

 

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