Mulheres negras são vítimas de violência doméstica
2.875 mulheres negras foram mortas em 2013. Esse número cresceu em 54% entre os anos de 2003 a 2013. De acordo com o Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período. Cerca de 55,3% dos crimes contra mulheres foram cometidos em ambiente doméstico, e nos 33,2% dos casos os assassinos eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas.
Faltam políticas para as mulheres negras. Entretanto, as mulheres tem medo do Poder Público. Jurema Werneck, integrante da ONG Criola, justifica: - porque as mulheres sabem que é o Estado que mata os homens negros, logo ela não confia nele. O sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz ressalta ainda que no Brasil os índices de homicídio também são maiores entre os homens negros em comparação aos brancos. Segundo o sociólogo no Brasil existe o mito da “democracia racial” mas as estatísticas apontam para a existência de uma falsa mitologia de que o brasileiro não é racista: - o fato é que ele é!.
História que deu nome a data
Os Quilombos da metade do século (1580-1600) foram comunidades rurais formadas por escravos africanos e afrodescendentes e são consideradas como refúgios contra a violência da escravidão. Ao fugir das fazendas, os escravos tinham no Quilombo a oportunidade de, em liberdade, se reencontrar com as suas tradições, e amenizar a saudades da África. Era uma tentativa de constituir uma comunidade livre. Talvez o desejo dos africanos fosse o de voltar para casa, entretanto, separados da família e dos amigos, retirados do seu local de nascimento, presos e violentados, só restou ao africano resistir.
O Quilombo que chegou a abrigar entre 20 e 30 mil pessoas, cerca de 13% da população brasileira em 1630, excetuando-se os indígenas, foi chamado de Palmares porque na região havia muitas palmeiras e foi erguido no estado de Alagoas, na Serra da Barriga. Alguns índios, mestiços e mesmo brancos habitavam Palmares.
O Quilombo se transformou em um Estado autônomo ocupando uma faixa territorial com cerca de 200 km de largura paralela a costa, que se estendia do cabo de Santo Agostinho até a margem esquerda do rio São Francisco.
A produção de artesanato com palha de palmeira (cestos, vassouras, chapéus, leques), de tecidos, de cerâmica e de metalurgia, como o excedente era comercializado, formando relações econômicas organizadas com comunidades vizinhas (colonos).
De 1954 até 1677 o Quilombo dos Palmares já havia derrotado 24 expedições chefiadas pelos capitães-mor de Pernambuco, dando inicio a tradição como arte-marcial da capoeira.
Neste Quilombo viveu o africano chamado Zumbi. A palavra Zumbi é semelhante a Nzambi, da língua africana quicongo falada em algumas regiões de Angola e que significa “deus”. Zumbi era filho de angolano e nasceu em um Quilombo no Brasil. Quando Zumbi era criança foi sequestrado por soldados portugueses e entregue a um padre jesuíta. Ele aprendeu a falar português e o latim e aos quinze anos fugiu, indo para o Quilombo dos Palmares. Zumbi tornou-se líder da comunidade rural no Quilombo e passou a lutar contra a escravidão. Os grandes proprietários de terra e de escravos estavam dispostos a fazer qualquer coisa para acabar com Zumbi e Palmares.
A coroa portuguesa chamou o bandeirante Domingos Jorge Velho para exterminar Palmares. A expedição militar implicou a mobilização dos militares de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia e Maranhão. Em janeiro de 1694, com um exército de mais de 8.000 homens munidos inclusive com canhões foi erguida uma cerca para encurrá-lar as defesas de Palmares. A luta foi difícil. Até água fervente foi usada pelas mulheres palmarinas na defesa do mocambo atacado. Após 22 dias de resistência o Quilombo dos Palmares foi ocupado e destruído.
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