Na terça-feira, dia 5/4, foi realizada a Assembleia Geral dos trabalhadores dos Correios em Florianópolis na sede da Fetaesc. A categoria aprovou a construção de um Dia Nacional de Mobilização e a organização de uma manifestação contra o rombo do Postalis, exigindo a realização de Concurso Público e pela implantação de sistema de segurança para proteger os trabalhadores que estão sendo vítimas de assaltos nas agências do Banco Postal. Motivo de debates acalorados os trabalhadores também se posicionaram sobre a situação política do país.
Em pauta a categoria tratou da situação do Postalis - plano de previdência dos trabalhadores dos Correios - apresenta um rombo financeiro de R$ 6,7 bilhões.
Como consequência deste prejuízo financeiro, a categoria que se enquadra no benefício definido saldado - contratado pela ECT antes do ano de 2005 - terá de fazer uma contribuição extraordinária no valor de 17,92% pelo período de 23 anos. [Ao final da matéria simulação do desconto da Folha de Pagamento]
- Boa parte deste prejuízo é fruto de maus investimentos - comenta o dirigente sindical Samuel de Mattos.
O reajuste é para cobrir as perdas com investimentos e pela decisão da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) de não arcar com um pagamento de mais de 1 bilhão, relativo à Reserva Técnica de Serviço Anterior (RTSA).
A determinação para o não pagamento do RTSA ocorreu em março de 2014, por ordem do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais.
As discussões no Congresso atingem os trabalhadores dos Correios.
- Os indicados do Partido Democrático dos Trabalhadores (PDT) estão assumindo a direção dos Correios para dar continuidade ao projeto de privatização da empresa elaborado pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Essa parceria é fruto de um acordo político entre governo e partidos, para angariar apoio contra a votação a favor do impeachment - explica o dirigente sindical Samuel de Mattos.
As decisões políticas definem desde o valor do salário dos trabalhadores até a maneira como a ECT será administrada nos próximos anos.
Por isso, o Sintect/SC como instituição política de defesa dos trabalhadores precisa ouvir a categoria e se posicionar.
Eleições gerais e Fora Todos
A proposta da categoria dos Correios em Santa Catarina é a construção de uma alternativa diferente de todas as possibilidades atualmente ocupando cargos no governo.
- Esse é um momento fundamental pois temos de preparar a categoria para lutar contra os planos do governo de privatização dos Correios, sabendo interpretar os discursos sobre modernização e reestruturação da empresa - observa o Secretário Geral do Sintect/SC Gilson Vieira.
Com a polarização entre PT e o PSDB surge entre a categoria o consenso que a solução imediata é a construção de uma alternativa para representar os trabalhadores.
A sugestão da categoria é lutar pela realização de eleições gerais para todos os cargos elegíveis do governo nas instâncias municipais, estaduais e federal.
- Não se trata apenas de tomar atitudes mais a Direita ou mais à Esquerda. Falta opção. Atualmente, cerca de 90% dos políticos estão sob investigação e envolvidos em esquemas de corrupção – aponta Gilson Vieira.
O governo do PSDB perseguiu os trabalhadores e lançou as privatizações. O PT quando assumiu o poder fez a Reforma da Previdência, cortou direitos trabalhistas históricos com as Medidas Provisórias 664 e 665. Se não bastante todos esses ataques, apoiou a política de Ajuste Fiscal.
- Os dois partidos não têm política para melhorar a vida dos trabalhadores. Estão sendo realizadas manobras para acabar com a obrigatoriedade de a Petrobrás [Projeto de Lei 131.15] ser a operadora única do pré-sal na exploração e abolir o direito a participação mínima de 30% da produção - lembra Gilson Vieira.
Os trabalhadores têm que construir uma alternativa de classe para o Brasil de fato ser governado pelos trabalhadores.
- Nos da direção do Sintect/SC defendemos o - Fora a todos! Em nossa proposta nenhum político investigado e envolvido em esquema de corrupção poderá disputar as próximas eleições. O maior salário de um político eleito não será superior ao de um professor. O financiamento de campanha deve ser unicamente realizado com recursos próprios sem o patrocínio dos empresários para não estimular a troca de favores – sugere o Secretário Geral.
Simulação Contribuição Postalis
Para um trabalhador com o valor do Benefício Saldado de R$ 288,18
Mensalidade extraordinária de 17,92% de R$ 288,18 = R$ 51,64
Valor total das contribuições extraordinárias durante 23 anos = R$ 15.440,36
Considerando a expectativa de vida de 83 anos. Supondo que o trabalhador se aposente com 58 anos. O trabalhador receberá o benefício por 25 anos.
Ao se aposentar o trabalhador receberá 325 benefícios no valor de R$ 288,18 somando um total R$ 93.658,50.
Descontando os 9% fica R$ 84.292,65
Descontando também o valor total das contribuições extraordinárias o trabalhador vai receber R$ 68.852,29
Caso o trabalhador opte por sair do plano ao se desligar da ECT receberá o valor de resgate de R$ 3.492,52
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